Marta Bravo e os processos culturais da Seguros SURA

1 - Marta, como você está? Apresente-se e conte-nos o que faz. 

Meu nome é Marta Elena Bravo de Hermelín. Eu sou professora na Universidade Nacional da Colômbia, professora honorária na Faculdade de Ciências Humanas e Economia, e trabalho na SURA desde a fundação do comitê cultural.

2- Por que você acha que a SURA faz intervenções culturais e está interessada em publicações de conteúdos culturais? 

Como a cultura sempre foi considerada como parte fundamental na SURA, vários projetos nasceram e um espaço de presença cultural foi estabelecido na cidade, no país e, agora, com a internacionalização, se espalhou para a região, onde a publicação de conteúdo editorial tem um grande espaço desde 1959. Foi quando uma publicação muito interessante foi feita e rapidamente se tornou uma referência para aqueles que estudam história da arte na Colômbia. Mas o maior interesse nestes projetos vem desde 1985, quando ocorre a consolidação do comitê cultural. Afinal, um projeto educativo e progressivo já estava sendo considerado, com momentos muito importantes. Um deles é que a atividade cultural da SURA fica registrada, não apenas em catálogos gráficos, mas também em textos que dão conta dos conteúdos dessas obras de arte. Esses catálogos permanecem para a história e, hoje, eles ainda são usados como um registro e material de pesquisa para se saber sobre os processos culturais da nação. Existem artistas colombianos que transcenderam internacionalmente, como Fernando Botero, Débora Arango, Beatriz González, Carlos Correa, entre outros. Depois, pensamos em uma linha educacional, em que entregamos os catálogos para o ensino das artes, com slides e folhas técnicas muito bem descritas, que ajudariam a escola a reforçar a educação artística.

3 - Mas as publicações de conteúdos culturais não são apenas catálogos. O que mais é feito?

Nos anos 80 e 90, nos interessamos por estudos históricos; por essa razão, de uma forma inovadora na Colômbia para a época, foram desenvolvidas duas obras que significaram reconhecimentos para a companhia por causa do interesse em contar a história, tanto de Antioquia quanto de Medellín.

4 - Então eles se concentraram em contar a história do país. O que mais pode ser citado? 

Em seguida, vieram outras propostas de pesquisa, procurando outros campos de ação. Existem livros muito importantes, como um dos 60 anos da Suramericana, que mostra o compromisso com a cultura e representou uma enorme contribuição para ela. Nele, a companhia deu conta de sua contribuição cultural e dos trabalhos que teve, com um trabalho de acordo com os padrões internacionais. Falamos sobre o desenvolvimento da área onde está o escritório central, a sala de arte e a coleção de arte da Suramericana.

5 - Você fala sobre a coleção SURA e sua sala de arte? As exposições foram ligadas aos processos editoriais? 

Em seguida, realizamos processos que terminaram em exposições e que foram mais profundos do que as mesmas amostras. Nos dedicamos a investigar a paisagem na arte, o que deixou duas obras: uma era baseada na paisagem rural e era chamada “Poesia da Natureza”; e outra, com base na paisagem urbana, chamada “Horizontes, outras paisagens”. Também estudamos a fotografia, o papel das mulheres e o retrato em Antioquia - Colômbia.

6 - E agora, o que aconteceu com o conteúdo editorial? 

Chegou um momento em que dissemos que devíamos abordar outras questões. Então, tivemos interesse em entrar nos tópicos da cultura popular. Não só pensando na cultura como um objeto, mas na cultura como sujeito que produz esse objeto. Foi produzido um livro chamado “Mestres da arte popular colombiana”, em que havia uma dimensão humana para destacar a pessoa que criava um objeto que foi erguido como herança cultural.

Desde então, iniciamos um projeto que adquiriu uma dimensão muito maior, que se concentrou em aspectos relacionados aos grupos étnicos que compõem a identidade nacional colombiana e surgiram “Linguagens Criativas dos grupos étnicos da Colômbia”.

Mas não foi apenas a publicação de um livro, com grande conteúdo e fotografias, mas um processo de pesquisa muito sério foi realizado, com uma abordagem respeitosa para as comunidades indígenas e terminando com suporte empresarial. Houve um trabalho realizado da Amazônia a Guajira, com pesquisadores que trabalharam no processo com a comunidade, para destacar e reconhecer os dezesseis grupos étnicos selecionados, dar uma olhada nos antepassados, suas culturas e trabalhar para torná-los parceiros de todo o processo.

Isso deu continuidade a um processo que abrange um espectro da cultura mais ampla, em que a arte popular e a arte ancestral são reconhecidas. Isso também se tornou material de ensino para as crianças brincarem e aprenderem sobre a história do lugar em que habitam.

7 - Como o comitê cultural assumiu o seu papel na expansão da empresa? 

Foi importante para a expansão da SURA, já que trouxe novas formas de ver a cultura. Então, a partir do comitê cultural, tiveram a necessidade de se conectar com outros países e propuseram diferentes projetos editoriais, em que a cultura popular e as obras ancestrais foram feitas na Colômbia, Chile e Peru, para destacar e continuar o pensamento que a companhia possui. No México, os processos de publicação também foram realizados para continuar com projetos que vieram de tempos anteriores e livros com processos investigativos foram publicados, permitindo assim um encontro cultural entre a Colômbia e o México. Ao final, o que vemos aqui é que esses processos editoriais têm uma filosofia, uma concepção cultural, que buscam promover não apenas expressões do país, mas também da região.

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